segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

DEPUTADO FEDERAL CHICO ALENCAR DIZ QUE O POVO DEVE SE OPOR AO FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

Por Thonny Hawany

O mês de dezembro de 2011 está marcado por declarações importantes para a comunidade LGBT, uma delas foi feita pelo deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) que, num de seus pronunciamentos, afirmou que somente a “pressão das ruas poderá reverter o crescente conservadorismo no Parlamento e no Executivo”. Para o deputado, o inchaço das bancadas religiosas na Câmara e no Senado é algo pernicioso a saúde democrática do Brasil.

Chico Alencar é um defensor do PLC 122 e, em apoio a aprovação da lei que criminaliza a homofobia, afirmou que “a força da unidade do movimento (LGBT) precisa ganhar as ruas do Brasil para dialogar com cada trabalhador, dona de casa, estudante, cristãos e outros religiosos, a fim de mostrar a importância da aprovação [do projeto de lei]”. Para o deputado, o movimento LGBT está confuso e dividido quando o assunto é o PLC 122.

Possivelmente não seja uma divisão propriamente dita e voluntária, mas não se pode negar que o movimento não está sendo canalizado e direcionado para um mesmo norte. As nossas lideranças estão confusas e, quando os lideres estão confusos, o povo também se confunde. Há muitos que não sabem o que está acontecendo. O movimento tem que parar de dar ouvidos ao que dizem os fundamentalistas e partir para uma estratégia nova que seja absolutamente eficaz.

Para Alencar, em seu polêmico, mas esperado discurso, “a retirada de pontos centrais para amainar a oposição de setores fundamentalistas ao projeto se mostrou improdutiva. Neste ponto, o que se nota é uma crítica na forma como a Senadora Marta Suplicy tentou aprovar o PL 122 procurando dialogar com as lideranças religiosas.

A respeito do que pensa o conservadorismo sobre a existência da homofobia, o deputado emendou dizendo que “os conservadores anunciaram na própria reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado que não há homofobia no Brasil e insinuaram que o ódio contra homossexuais seria legítimo, por se tratar, segundo eles, de uma opção pelo pecado. O ponto mais polêmico desta parte do discurso do deputado foi o fato de os fundamentalistas religiosos acreditarem que nós gays fazemos “opção pelo pecado”. Se o movimento LGBT não tirar o pé do chão com ações que sejam programadas para vencer, teremos que engolir, por muito tempo, essas afirmações infundadas.

Chico Alencar disse em seu inflamado discurso que, “com argumentos de que a lei de Deus não se muda, um setor fundamentalista das igrejas evangélicas se esquece que o Estado Laico é a única garantia, não só de liberdade aos LGBTs, mas às próprias religiões minoritárias, como as confissões evangélicas. É exatamente com esse pensamento que o movimento LGBT precisa trabalhar. É preciso união com outros movimentos para dialogar com maior número com as bancadas religiosas já instauradas na Câmara e no Senado. Emendou Chico, “quem lê os Evangelhos sabe que Jesus Cristo jamais discriminou os diferentes de sua época”.

O fim do discurso do deputado federal Chico Alencar foi uma crítica ao governo do PT que, ao chegar no poder, deixou esfriar seu compromisso de liberdade dos LGBT. “a despeito do compromisso histórico do PT com a emancipação LGBT, o Governo Lula/Dilma, com sua imensa maioria no Congresso, não tem a diversidade sexual como uma das suas prioridades.”

Em face de tudo o quanto apresentou o deputado federal Chico Alencar, fica difícil imaginar um 2012 de bons e significativos resultados para o movimento LGBT. Suas palavras levam-nos a pensar e crer que o ano vindouro será de muita conversa e de pouca ação. O movimento LGBT está, aos poucos, sendo atravancado pelos fundamentalistas e por aqueles que sempre se fizeram aliados. É preciso que as nossas lideranças percebam que estão sendo usadas em favor de objetivos diferentes daqueles que sustentam o movimento: igualdade, liberdade, fraternidade e, acima de tudo, dignidade.

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